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uma academia masculina e europeia

Walter Benjamin. Gilles Deleuze. Imanuel Kant. Roland Barthes. George Lukacs. Stéphane Mallarmé. Charles Baudelaire. Karl Marx. Erich Auerbach. Aristóteles. Sócrates. Platão. Friedrich Engels. Friedrich Nietzsche. Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

Os nomes acima foram citados por todos os alunos da disciplina Abordagens Especiais em Literatura e Cultura Digital como os principais autores intelectuais citados e estudados pelos professores e pesquisadores da Escola de Letras da Unirio. Não é necessário digitar cada nome no Google para saber quem são. Ainda que suas obras tenham importância na nossa cultura, relfletem uma visão única: são todos homens, brancos e europeus.

Não há como negar a importância da influência da cultura eurocêntrica na nossa sociedade. É no entanto questionável o fato de a academia observar apenas a visão masculina europeia e tratá-la como hegemônica acerca de questões como cultura, sociedade e estética.

A cultura brasileira, ainda que tenha surgido da colonização portuguesa, portanto, com um viés greco-romano e judaico-cristão, a cultura africana e indígena está ainda muito presente em nossas crenças, hábitos e cultos e ideologias. Ainda que tenha ocorrido uma tentativa de apagamento e silenciamento das vozes negras e ameríndias, elas ainda reverberam - ou, melhor, gritam - em nossa formação.

Além dos citados intelectuais, o curso possui uma disciplina de Literatura de Cultura Africana. E o principal autor ali estudado é o Moçambicano Miá Couto - um biólogo branco. Que literatura africana temos quando temos um ator de origem europeia, ainda que tenha nascido em terras do sul?

Se cabe ao professor o papel do intelectual transformador, porque ainda reproduzimos dentro da sala de aula, na universidade, o discurso do colonizador opressor? Não é hora de procurarmos as diversas vozes que ainda ressoam no nosso cotidiano? Não será hora de buscarmos a voz feminina do simbolismo, a mão negra na arquitetura, a palavra tupi na filosofia?

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